O uso de psyllium para emagrecer ganhou popularidade nas redes sociais, onde o suplemento passou a ser chamado de “Ozempic natural”. A comparação, porém, pode criar expectativas equivocadas. O psyllium não age como a semaglutida e não substitui medicamentos indicados para diabetes ou obesidade.
Extraído da casca das sementes da planta Plantago ovata, o psyllium é uma fibra solúvel capaz de absorver água e formar um gel no aparelho digestivo. Essa característica pode aumentar a saciedade, favorecer o trânsito intestinal e contribuir para o controle da glicose e do colesterol. Seus efeitos sobre a redução de peso, entretanto, ainda são considerados modestos e variam entre os estudos científicos.
Como o psyllium age no organismo?
Quando é misturado à água, o psyllium aumenta de volume e forma uma substância viscosa. No intestino, esse gel retém água nas fezes, aumentando o volume do bolo fecal e facilitando a evacuação. Por esse motivo, a fibra é conhecida principalmente por auxiliar pessoas que sofrem com prisão de ventre.
A viscosidade também pode tornar a digestão mais lenta e prolongar a sensação de estômago cheio. É justamente esse mecanismo que desperta o interesse pelo psyllium para emagrecer, já que uma saciedade maior pode ajudar algumas pessoas a controlar as porções e evitar lanches frequentes.
Psyllium realmente provoca perda de peso?
A resposta da ciência ainda não é definitiva. Uma meta-análise publicada em 2020, que reuniu 22 ensaios clínicos, não encontrou redução significativa no peso corporal, no índice de massa corporal ou na circunferência da cintura entre os participantes que consumiram a fibra.
Por outro lado, uma revisão de 2023, concentrada em adultos com sobrepeso ou obesidade, encontrou uma redução média de aproximadamente 2,1 quilos. Também foram observadas pequenas diminuições no IMC e na medida da cintura. Nos estudos avaliados, o consumo médio foi de 10,8 gramas por dia, geralmente antes das refeições, durante quase cinco meses.
Esses resultados diferentes mostram que utilizar psyllium para emagrecer não garante o mesmo efeito para todas as pessoas. A resposta pode depender da dose, da duração do consumo, da alimentação, da prática de exercícios e das condições de saúde de cada indivíduo.
Por que não é correto chamá-lo de “Ozempic natural”?
O Ozempic contém semaglutida, um medicamento que imita a ação do hormônio GLP-1 e atua em mecanismos ligados ao controle da glicose, à liberação de insulina e à regulação do apetite. O psyllium, por sua vez, é uma fibra alimentar que forma um gel quando entra em contato com líquidos.
Portanto, a expressão “Ozempic natural” é inadequada. Embora o psyllium para emagrecer possa favorecer a saciedade, ele não reproduz o mecanismo farmacológico da semaglutida, não apresenta a mesma potência e não deve ser usado para substituir tratamentos prescritos.
Quais são os outros benefícios do psyllium?
Os benefícios mais consistentes estão relacionados à saúde intestinal e metabólica. A fibra pode melhorar a consistência das fezes, facilitar as evacuações e ajudar no controle da constipação.
Também há evidências de que o psyllium contribui para a redução do colesterol LDL, conhecido popularmente como colesterol ruim. A FDA reconhece efeitos fisiológicos das fibras alimentares, como auxílio no controle do colesterol, da glicose e da frequência das evacuações.
Assim, mesmo quando o psyllium para emagrecer não gera uma perda expressiva de peso, a fibra pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, desde que seja consumida corretamente e com orientação profissional.
Como consumir psyllium com segurança?
O psyllium precisa ser ingerido com uma quantidade adequada de água. Consumir o produto seco ou com pouco líquido pode causar dificuldade para engolir e aumentar o risco de obstrução. Pessoas com problemas de deglutição devem evitar o suplemento sem avaliação médica.
O ideal é começar com uma quantidade pequena, pois o aumento repentino de fibras pode provocar gases, distensão abdominal, cólicas ou alterações no ritmo intestinal. A dose depende do produto, da alimentação e do objetivo, por isso é importante seguir o rótulo e buscar orientação de médico ou nutricionista.
A fibra também pode interferir na absorção de determinados medicamentos. O MedlinePlus recomenda atenção ao intervalo entre o psyllium e remédios como digoxina, aspirina e nitrofurantoína.
Vale a pena usar?
O psyllium para emagrecer pode servir como complemento para aumentar a saciedade, mas não deve ser tratado como solução rápida. A perda de peso sustentável depende principalmente de alimentação adequada, atividade física, sono de qualidade e acompanhamento profissional.
Pessoas com doenças intestinais, dificuldade para engolir, diabetes ou uso contínuo de medicamentos devem conversar com um profissional de saúde antes de iniciar o consumo. O psyllium pode oferecer benefícios, mas precisa ser usado com boa hidratação e sem expectativas irreais.
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